Até qualquer dia Sr. Leo Burnett.
É com esta frase que me despeço desta agência, que me recebeu em Outubro de 2006.
Ao Sr. Burnett e toda a sua família agradeço tudo o que me proporcionaram. Vivemos bons e alguns maus momentos, rimos e comemorámos sempre mais do que chorámos e fomos para casa tristes. No final, mesmo no finalzinho ficam só coisas boas para recordar. São 3 anos e meio de dedicação e partilha. De noitadas a trabalhar. De fins-de-semana. De concursos e de reuniões. De churrascos. De festas. Da maior festa da internet de todos os tempos. Do espanhol misturado com português de Lisboa e com o português de S.Paulo. Do português misturado com qualquer outra língua. Dos locos, boludos, caras e gajos. De reuniões. De apresentações. De contas ganhas e contas perdidas. Dos prémios. Da colheita de 2009. Das partidas. Das chegadas. Acima de tudo, acho que nos divertimo-nos e isso é o que mais importa.
Um grande obrigado Sr. Leo Burnett.
Em finais de 2007 fizemos um dos maiores trabalhos da agência desse ano, o site da J&B para o mercado português e para a sua campanha Start a Party.
Como um conceito simples, desenvolvemos um site onde uma máquina, o partymatic, uma espécie de criador de festas online, montava as festas dos utilizadores.
Festas essas que na realidade eram o próprio site, completamente costumizadas ou então geradas aleatóriamente. O site, teve a duração da campanha (ainda está online mas agora em outra agência ), ou seja, cerca de um ano e por lá passaram milhares de pessoas. Ao longo desse ano várias acções foram desenvolvidades, online e offline, com prémios, festas e acima de tudo muito divertimento.
Neste projecto trabalhei com o meu camarada Pedro Ribeiro, um dos copys da agência. Amigo, colega e adversário em milhentas partidas de ping-pong ou como nós lhe chamavámos, brainstormings. Desde 2008 em que acabámos o trabalho, que ele me chateia para lhe fazer um board para “por na pasta”, como ele diz. Ou seja, há dois anos que está à espera desta imagem. Como diz o povo, quem espera sempre alcança.
E se o meu último post foi sobre ficção Nacional e o muito que ainda temos de fazer para chegar lá, não só em relação a conteúdos mas também termos de promoção, este post é sobre outros que já lá estão e que conseguem superar-se. Está quase a chegar um dos filmes mais esperados do ano. A 5 de Março estreia o mais recente filme de Tim Burton, Alice nos País das Maravilhas. O que mais haverá para dizer sobre ele e os seus filmes, sobre os seus personagens, cenários e ambientes? E sobre este filme?
E justamente sobre este filme, a Disney desenvolveu um press kit assinalando a sua estreia junto dos jornalistas.
Um peça de marketing relacional suberba. Um enorme livro, que ao folhearmos o seu interior, se vai dividindo em vários livros mais pequenos, cada um com uma temática específica sobre a película. Por fim, no livro final encontramos uma mensagem só lida através de lupa e uma chave/pen usb onde quem recebeu esta peça única tem acesso ao último trailer juntamente com mais algumas fotos do filme. Um press kit de luxo, com um design fabuloso e genialmente bem produzido. Já estou a imaginar a edição mega especial em dvd que aí vem. Mais uma lá para o móvel, para juntar ao Estranho Mundo de Jack.
Muito se tem falado de há uns temos para cá, que a produção nacional televisiva e cinematográfica tem melhorado substancialmente de qualidade com a passar dos anos. Sem dúvida. Melhores prestações de actores, histórias para todos os gostos. Consigo sem sombra de dúvida reconhecer alguma melhoria nas produções. Acho super interessante conseguirmos formar uma indústria sustentável e produtiva que gera procura e acima de tudo que crie trabalho. Mas é sobre comunicação que quero falar. Mais propriamente sobre a comunicação ao público destas séries, novelas, filmes, o que seja. Os posters e cartazes que vemos espalhados pela cidade a publicitar as mesmas não condizem minimamente com a suposta subida qualitativa. O cartaz é quase sempre a primeira forma de contacto com o produto. Mais, o cartaz deve suscitar curiosidade, gerar interesse, ser apelativo e muito sinceramente acho que neste campo, quem está responsável pela sua criatividade não está a fazer um bom trabalho. Não sei quem os faz, logo não é uma crítica persoalizada, mas sim geral, pois vejo que não é problema de uma só entidade. RTP, SIC, TVI e Cinema quase que concorrem entre si para ver quem faz pior. Existe uma série de gente boa e competente pronta a levar isto para outro patamar, gente que já deu provas em cartazes para exposições, teatro ou espectáculos em geral. Há excepções, como por exemplo o poster do filme Alice, mas eis alguns exemplos do mau trabalho que se tem realizado. Imagens de fraca qualidade, a escolha da tipografia é péssima, alinhamentos mal feitos, o usos de todos os efeitos que o photoshop proporciona, enfim… Se queremos qualquer dia e, espero bem que sim criar uma verdadeira indústria ao estilo Hollywood, vamos ter de evoluir. E esta evolução também vai passar pelo design gráfico. E muito.